Um blog que só passava
por blogocídio quando algo
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"Love is watching someone die"
Ou: Como fazer uma homenagem e uma matéria ao mesmo tempo
Dona Maria Rosa tem 92 anos bem vividos. Mora com uma de suas filhas, sua neta e seu mais novo bisnetinho na Vila Dalila, zona leste de São Paulo. Tem um cachorro – Tuty – e uma cria de gatos, tendo como preferido o mais velho – Felipe -, que vive com elas há quase 8 anos. Nunca se levantou antes das nove da manhã. Gosta dos prazeres da vida – comer bem, beber um bom café, ter um docinho depois do almoço e da janta. Sua saúde é de ferro. Tem a diabetes controlada, e uma vida totalmente ativa.
Segundo a psicóloga Olga Tessari, dona Maria é um exemplo de qualidade de vida na terceira idade. A pesquisadora define qualidade de vida por “manutenção da saúde, em seu maior nível possível, em todos os aspectos da vida humana: físico, social, psíquico e espiritual”. Explica quais os cuidados devem ser tomados para um envelhecimento saudável, como alimentação, atividade física, estímulo cerebral (ler, assistir filmes, fazer palavras cruzadas, ter um hobby artístico) e atividade sexual.
Quem conhece ou convive com dona Maria, constantemente a ouve falar que adora viver bem. Só tem dois medos – ficar internada em um hospital e perder a lucidez. Faz de tudo para manter a saúde física e mental. Fumou durante vinte anos, dos 50 aos 70. Parou de fumar porque teve um ataque de bronquite e o médico lhe aconselhou que abandonasse o vício.
Mas dona Maria já é exceção. Já está 20 anos além da expectativa de vida – e sua filha mais velha tem hoje 77 anos. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o brasileiro vive em média 73 anos, sendo que as mulheres vivem mais que os homens, uma média estimada em 76,5 anos para as mulheres e 69 anos para os homens.
É contagiante a paixão que dona Maria tem pela vida. Costuma dizer que “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca finde”. Lembra sempre com saudade “porque não é bom lembrar com tristeza” dos que se foram – o marido que se foi há 29 anos, os sete dos quatorze filhos que foram vítimas do mesmo ma que padeceu o marido (insuficiência renal). Diz sempre que “a gente fica com saudade das pessoas, mas nem por isso precisa parar de viver”.
O segredo de dona Maria para uma vida plena é, sobretudo, amar a vida. Gostar de cada dia e “agradecer a Deus por mais um instante de felicidade”. É desta forma que dona Maria vira o exemplo de qualidade de vida de Tessari, que afirma “qualidade de vida é, portanto, a preservação do prazer em todos os seus aspectos”.
Dona Maria nasceu em 11 de maio de 1917 e viveu cada dia mais feliz que o anterior, até falecer de causas naturais em 09 de novembro de 2009.
*Dona Maria Rosa Alves Bonfim era minha bisavó. A idéia de fazer minha matéria sobre qualidade de vida para a nova revista da qual faço parte (sobre terceira idade) sobre ela surgiu um dia antes dela morrer. Na segunda-feira,passei o dia no necrotério ajudando a tomar as devidas providências para o funeral e a noite com a neta e o bisneto citaos no começo deste texto, uma vez que a tal neta é deficiente auditivo e alguém tinha de cuidar do bebê.
A família está consolada, apesar da saudade.
Publicado por Laís em 10:46 PM
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"Cause I've forgotten all of young love's joy"
Estou sem saco para o blog e para todas as outras coisas da vida, obrigada por perguntar. Acontece que eu fico correndo atrás de fazer minhas matérias da revista e procurar uma gráfica que não cobre minhas pregas para imprimí-la, diferentemente de minhas companheiras de grupo. Acho tão lindo pessoas que sabem projetar e cobrar, mas nunca desenvolver porra nenhuma. Na verdade, meu plano com o blog é mudar de endereço e servidor. Mas só de pensar nisso bate preguiça.
A Claro como sempre tem tirado um barato com a minha cara. Por menos uso que eu tenha, minha conta nunca vem nem no valor da franquia, quem dirá menos. Aí me deram bônus pra eu pegar o aparelho que eu queria e quando fui lá o bônus cedido já era insuficiente. Acabei pegando um aparelho pra minha mãe que ela não gostou.
E sim, eu continuo desempregada, obrigada por perguntar. Mas eu procuro não ficar ruminando isso pra ver se afasta a negatividade de mim. Não que tenha dado certo com toda a negatividade que tem me cercado em super alta. Mas, pelo menos, ela vem de fora e não de dentro.
Meu quarto tem goteiras. E ninguém sabe como consertar isso. Há milhares de anos essa casa é assim. projeto arquitetônico incrível do meu avô, baseado apenas em concreto. O mal acabamento é só o requinte da coisa toda. A casa é desnivelada, não há duas paredes sequer com a mesma dimensão, o que é terrível inclusive para limpar.
E eu vou te contar uma coisa. Eu tenho um útero inútil. Que poderia ser inflado e chamado de balão de gás. Por conta disso, há alguns meses atrás cismei que queria ter um filho. Lógico que me chamaram o juízo de volta em pouco tempo, mas eu tava com a tal da idéia fixa de procriar. Eu ainda não procurei nenhum tratamento para reproduzir por enquanto. Mas mensalmente eu fico com aquela cólica insuportável. E parece que eu tô parindo um bebê a cada dez minutos, tamanha a dor. Ai que eu questiono a injustiça da vida. Eu não poder procriar e sentir dores terríveis a cada menstruação.
Ao que parece, eu estou entrando naquela fase da vida em que meus amigos de infância estão vindo me trazer o convite de seus casamentos e meus amigos da faculdade estão indo para casas de swing. Não há bom senso e meio termo na cabeça das pessoas. Os que namoram não se contentam em apenas namorar, têm de casar e contar moedinha pra viver junto; os que estão solteiros não se preocupam em trepar com todo mundo no final de semana e contar no café da manhã de segunda-feira, querem que todos presenciem suas trepadas incríveis.
Não, não é amargura de quem não está nem pra casar, nem trepando loucamente em locais públicos. Mas pensa bem. Meus amigos tem mais ou menos a minha idade. Não é normal essa fixação por casamento ou trepada mal dada assistida. Ou eu que sou anormal e não estou nem casando, nem trepando com estranhos, vai saber. É cada loucura que me aparece...
Publicado por Laís em 1:26 AM
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"I'm beginning to think I imagined you all along"
Coisas que eu odeio: gente que abraça árvore e grita para a lua; estar desempregada e, conseqüentemente, sem dinheiro; qualquer sorte de discurso sobre sustentabilidade e politicamente correto; gente que fala gritando; gente insegura que precisa se autoafirmar o tempo todo; e por fim, os meses de maio e setembro.
Nos últimos quinze dias, 5 pessoas diferentes me disseram que eu estou em depressão. Duas pessoas, uma delas com diploma de psicologia, me diagnosticaram bipolaridade. Eu nunca acreditei ter nenhum tipo de distúrbio psicológico mas fiquei preocupada com a quantidade de gente me mandando procurar ajuda. Eu nunca disse "estou deprimida". Mas digo costumeiramente nos últimos tempo que "estou desanimada". Ontem (sexta) por muito pouco não entrei no sanatório que fica ao lado da faculdade. Me vi em um estado prévio a um colapso nervoso. Fui grossa com meio mundo, tive acesso compulsivo de choro e bati boca com gente que não faz nada além de ser gentil comigo.
Nos últimos dias tenho apelado para todo tipo de fé de todas as pessoas que me cercam. Passei um dia na casa da minha avó que não só cuidou de mim, como fez três promessas para eu pagar (como ela costuma fazer) e acendeu uma vela para me proteger. Passei outro dia na casa de uma das minhas melhores amigas de infância cuja mãe é uma espécie de missionária (desconheço tal hierarquia) de uma igreja evangélica e pedi que ela me colocasse no círculo de orações, pedi para que minha tia espírita fizesse para mim um evangelho, e para meu amigo umbandista, pedi que desamarrasse minha vida. Aí você me pergunta por que eu atirei para todas as fés alheias e eu te respondo que as fés alheias certamente estão mais fortes que a minha nesse momento.
Mas eu queria dizer também que nós temos um projeto esse semestre de fazer uma revista. Aí a noob com nome de dança-hit dos anos 90 dá a idéia de fazer a nossa revista sobre o que? É, minha gente, sobre sustentabilidade. E o pior - as outras duas pessoas do meu grupo A-D-O-R-A-R-A-M a idéia. Very in. Eu simplesmente odeio esse tipo de conversa vamos-cuidar-do-que-é-verde-e-doar-dinheiro-para-o-criança-esperança. Mas cá estou num grupo que vai fazer uma revista sobre sustentabilidade. Acho que dar um tiro na minha cabeça doeria muito menos que me fazer escrever sobre um assunto que eu odeio. E o pior de tudo é o projeto gráfico. Nenhuma delas tem a mínima noção de projeto gráfico. Isso é tudo por minha conta. Além de ter de escrever alguns artigos para essa merda, vou ter de diagramar uma porra duma revista verde e politicamente correta. E no rabo não vai nada, né?
Ai tem os professores. Por mim, eu iria para a faculdade de segundas, terças e quintas-feiras. Que são as aulas boas com professores bons. Mas o professor de planejamento gráfico (quartas-feiras) já me odeia. Porque ele fala gritando, e eu disse isso semana passada quando eu fui sentar no fundo e ele pediu que eu fosse para a frente da sala ("daqui o seu tom de voz é menos intolerável e vai me deixar menos surda do que se eu estivesse na frente", disse eu). E porque no laboratório de edição, ao invés de pedir a ajuda dele, as pessoas pedem a minha. O professor da primeira aula de sexta-feira tem dado a mesmíssima aula todas as semanas (fotojornalismo e ele só fica falando sobre Niépce. Are you fuckin' kidding me, man?!). E a professora da segunda aula de sextas-feiras é gostosinha. Mas insuportável. Resumindo. Os outros três professores me adoram e estão levantando freelas para mim.
E tem aquela guerrinha na sala. Formaram-se pequenas panelas e eu não tenho contato próximo com ninguém, então circulo tranqüilamente; mas tem aquela garota. Ela é INSUPORTÁVEL. Ela se acha a única bolacha do pacote. Tenta sempre ser a mais esperta, do melhor texto, mais bonita, a mais engraçada e, o pior de tudo, é vegan. Dia desses, resolvi então, do alto do meu mau humor, bater boca com ela. E soltei que para cada animal que ela não comesse, eu comeria 10. E agora ela declarou guerra a mim por isso. Aí a noob com nome de dança-hit dos anos 90 levantou a teoria de que essa garota é extremamente insegura, por isso fica se autoafirmando. Essa noob é divertida.
E minha última consideração é a seguinte: em maio eu não me apaixonei; agora em setembro, além do desânimo, estou C-O-M-P-L-E-T-A-M-E-N-T-E desapegada de pessoas. De TODAS as pessoas. Inclusive da pseudo-namorada ou coisa que o valha. Não temos nos falado e não tenho sentido falta. Pensei em terminar tudo de uma vez e tirar logo esse peso morto da minha vida. Mas certas coisas a gente só faz quando está bem, e terminar pseudos-relacionamentos com mulheres loucas é uma dessas coisas. Então espero bater aqueles cinco minutos em que a vida faz alguma espécie de sentido e fazer isso. Não que seja realmente importante terminar. Não é pra mim e, certamente, não é para ela. Mas quando se enterra alguma coisa, o certo é jogar a terra. E isso é importante para mim sempre que acaba alguma coisa na minha vida. Jogar a tal da terra.
Resumindo: sutentabilidade é coisa de gente que abraça árvore e grita para a lua, estar desempregada sucks, estou desanimada, mas ainda não sei se concordo com diagnósticos de problemas psiquiátricos, a faculdade tá uma merda sem fim, tem uma doida fazendo a minha caveira e eu estou solteira sem pirar com isso.
Publicado por Laís em 2:40 AM
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"Looks like the devil's here to stay"
Deixa eu te contar que eu adoro Placebo e que o único disco bom desses tempos é o Battle For The Sun. Mas deixemos Brian Molko pra outro plano. Então as aulas voltaram essa semana e eu continuo desempregada. Nothing new or exciting. Mas essa foi uma semana totalmente jinx pra mim. Começou assim:
Segunda-feira. Dia tranqüilo, sem programação definida a não ser ir para a aula à noite. Ai F. me ligou convidando que eu fosse à casa dela. Me troquei e descia as escadas quando meu pé virou e eu rolei a escada de casa. Bem morte planejada por Nazaré Tedesco. Depois de gelo e ps, fui então para a faculdade.
Terça-feira. Com o pé um pouco melhor, passei o dia em casa e fui para a aula à noite. Tudo normal. Ai na hora do intervalo uma das meninas tinha levado um doce para fazer uma festinha para outra.Todos comemos o doce e tudo o mais. Mas só a Laís passou a madrugada com dor.
Quarta-feira. Como previsto, dor lascinante no estômago, no estágio em que já se pede pelo tiro de misericórdia. A madrugada inteira sem dormir resultou em ps again! E lá passei eu gratas 5 horas da minha vida para uma enfermeira desgostosa ficar me cutucando com uma agulha na mão porque não conseguia achar minhas veias - que eu mesma já teria furado se estivesse com a porra da agulhas em mãos - e não conseguir tomar a merda da ranitidina intravenosa por isso. Acabo tomando comprimidos de ranitidina que resultam em mais uma madrugada de dor. Mas dessa vez, três dores - a do estômago que não passou, uma dor no peito, efeito colateral da dose de ranitidina e dor nos rins, também efeito colateral da ranitidina.
Quinta-feira. Depois de passar a noite inteira implorando para morrer e que toda essa tortura acabasse, achando que ia enfartar no tapete do banheiro, lugar onde desmaiei de dor - não questione qual -, passo o dia inteiro deitada em posição fetal. É o segundo dia sem comer absolutamente nada. Meu irmão acordou adoecido também. Então ficamos os dois inválidos em casa, eu com dores, ele com tosse. No correr do dias as minhas dores foram passando. Primeiro a dos rins, depois a do peito. A do estômago começou a levantar acampamento no começo da madrugada.
Sexta-feira. Finalmente uma noite tranqüila de sono. Entretanto a fome não retornou. Retomei a vida normal. Limpar a casa, mandar currículo, essas coisas todas. Até resolvi ir para a faculdade. Amigas minhas me ligaram e exigiram que eu fosse na festa dos bixos. Fui para a aula, prometi ir à festa vê-las, porque interação social com o estômago estragado, no fucking way. Aí ligo para F. e pergunto se ela quer ir a tal da festa e ela topa. Chegou mau humorada, mas tudo bem. Fomos para a festa. Começo a me divertir com as minhas amigas e ela resolve beber. Tomou duas caipirinhas, ficou bêbada e, depois que saímos da festa, fez ceninha no metrô. Resultado: peguei todas as últimas conduções para casa, cheguei quase duas da manhã e a dor voltou.
Hoje, finalmente, a dor me deixa comer. Ainda dói o estômago e tudo o mais, mas já saí do jejum. E espero não ter outra semana de tanta falta de sorte quanto esta.
Publicado por Laís em 9:31 PM
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"There are 24 parts in a day that divides me from you"
Eu ensaiei um post duas vezes ontem. Começava falando da mesmice da minha vida de desempregada falida, passava para a pseudo-relação e terinava falando de música. Longo e desconexo, such as me. Então vamos falar. Eu continuo desempregada e, agora, viciada em jogos retardados do facebook, tipo Sorority Life e Mafia Wars. Tenho feito milhares de entrevistas, mas nenhuma resposta me é dada. Às vezes fico desanimada, outras tantas, esperançosa. Mas o que pega do desemprego é a falta de dinheiro. Sofro demais sem grana. Mas fatos curiosíssimos nas últimas entrevistas. Entrevistadora saudando com beijinho no rosto e dizendo que meu cabelo está comprido sem nunca ter me visto antes na vida, e entrevistadora que joga meu nome no google, descobre no meu facebook que eu sou homo, me questiona se eu namoro e pergunta se eu tenho medo de compromisso. O mundo dos recursos humanos está cada vez mais bizarro. Juro que tenho ficado assustada.
A pseudo-relação... poderia citar Nirvana "oh well, whatever, nevermind". Vivo ainda a fase de tanto faz. Tenho praticado o desapego. Mas ela é complicada. Se eu ligo, sou grudenta, se não ligo, não me importo. Discutimos mais do que deveríamos e é por isso que eu tenho vivido esse tanto faz. Não me esforço o suficiente para que vire, de fato, uma relação porque ela não se esforça nem um pouco. Entendo já que só gostar não é suficiente para fazer uma relação dar certo, mas ainda não amadureci o suficiente para jogar tudo pro alto e ficar sozinha.
Já música. Ontem eu comecei duas vezes a mesma defesa que dizia que Franz Ferdinand é uma banda contínua; nos três discos você percebe evolução sem que o estilo e a qualidade da banda sejam afetados. Placebo e Strokes são bandas redondas. Você pode ouvir aleatoriamente músicas de todos os álbuns sem notar alta ou baixa. Não evolui, mas não estraga. Fratellis, Milburn e We Are Scientists não soubera prosseguir de cds muito bons. Acabaram tentando evoluir e destruiram a alma de suas bandas. Já Killers e Arctic Monkeys iam muito bem. Evoluiam bem e com qualidade, bem como Franz Ferdinand. Aí veio o Killers com o Day & Age. A princípio, fraquíssimo. Do tipo que te faz perguntar cade aquela explosão do refrão tipo "I said 'he doesn't look a thing like Jesus but he talks like a gentleman, like you imagine when you were young' ", ou " 'Why do you waist your time' is the answer to the question on you mind". Isso passa em algumas músicas do Day & Age, mas não o suficiente para te possuir e fazer gritar a plenos pulmões. Não é grandes coisas.
Já Arctic Monkeys tinha aquela coisa do descompromisso juvenil "have you been drinking son, you don't look old enough to me". O Favorite Worst Nightmare deu uma evoluida bacana no som dos caras. Não era mais guitarra dos Ramones e gritarias adolescentes. Tanto que o Standing Next to Me do Last Shadow Puppets segue a mesma vertente do Favorite Worst Nightmare. Tem um rítmo bom e cativante e excelentes letras. Mas ai veio o Humbug. PUTAQUEOPARIU. O Humbug pede para ser ouvido pelo menos umas 10 vezes antes de criar costume. Três músicas soam a Arctic Monkeys e duas fazem uma tentativa de soar também. Muito experimentado esse disco. Tem letras boas, mas melodias meia-boca. Tem música que, juro por Deus, pensei que o Alex Turner tivesse tentando imitar Sonic Youth. Ecara, no meu mundo, Experimental, Jet set, Trash and no Star, só Sonic Youth pode fazer.
E claro, isso não paga as contas e nem tira o sono de ninguém, mas qualquer um que tenha visto apenas de passagem o meu Last.Fm, sabe que Killers e Arctic Monkeys estão entre minhas bandas preferidas. É aquela coisa - esperava muito mais mesmo. Mas acho que minha atual condição psicológica e tudo o que se passa na minha vida (ou deixa de passar) são mais responsáveis que as bandas em sipela minha percepção. Mesmo porque, mudando de contexto psicológico, eu consegui gostar de várias músicas do cd mais recentedo Fratellis e do Milburn. We Are Scientists realmente foi uma cagada no pau bem feia. Queria mesmo que as bandas novas aprendessem com os grandes que evoluir não é fazer merda num som que era bom pra caralho.
Publicado por Laís em 2:14 AM
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Entre tantas outras coisas...
Então é assim, eu tô virando um picolé. F. sempre fala que eu sou friorenta demais, coisa que eu não deveria ser porque eu sou gorda. Nem um pouco sutil ou delicado, diga-se de passagem, mas eu relevo. A questão é que meu corpo tem sérios problemas de temperatura. Qualquer solzinho que apareça me faz derreter, qualquer ventinho que bata, me faz congelar. E meia estação é genial. Eu fico tendo calafrios, como se um bando de dementadores* ficasse aparecendo e sumindo pra me irritar.
E tem também a chuva. Certa vez, neste finado blog, eu escrevi sobre como eu gostava tanto da chuva quando era criança e como a chuva hoje tem sido inconveniente. A questão é que meu irmão e eu discordamos em tudo na vida, menos na disposição da mobilia do nosso quarto. E anteontem eu fui acordada com a minha mãe arrastando todos os móveis por causa da goteira, que fica exatamente no espaço entre a minha cama, a do meu irmão e a estante da tevê. Tudo porque minha tia estava vindo do interior pra cá mais uma vez e não havia espaço para os colchões que não inflingissem em ficar embaixo da goteira. A solução dela foi colocar a cama do meu irmão quase dentro do guarda-roupas e o sofá na porta, dificultando entrada, saída e horas preguiçosas de tevê no quarto, ao invés da solução mais prática de colocar os colchões na sala.
Hoje então, minha mãe tirou o dia para me ofender e me humilhar. Acho que esse é o passatempo preferido dela e do meu irmão que, na ilusão da família perfeita que só existe na cabeça deles, dizem que eu atrapalho o andamento das coisas nesta casa. Se eu passo o dia inteiro fora de casa, eu sou inconveniente por não fazer sala para as visitas. Se eu passo o dia inteiro em casa, eu sou um monte inútil de gordura ocupando espaço. E já não basta ter de ceder minha cama - coisa que eu detesto, diga-se de passagem -, eu tenho de engolir desaforo por querer entrar no meu quarto e ter acesso ao meu guarda-roupas.
Eu estou começando a surtar com a falta de dinheiro. E é por isso que eu me pego pensando "como assim eu aqui sofrendo porque não pude pagar nem a conta do meu celular e minha prima (que está tão desempregada quanto eu) gasta quase o valor de um carro numa festa de aniversário para o marido dela?". Hoje falei com F. sobre isso. Sobre como eu fico sem graça de sair com ela sem ter um real que seja; diz ela que é bobagem, que não liga de gastar comigo. Mas, claro, eu sou uma pessoa orgulhosa e fico, de fato, sem graça.
Tenho estado desanimada com a minha vida, em geral. A falta de grana, o cárcere caseiro, minha saúde... Tudo tem me incomodado. Me incomodam as trocentas milhões de entrevistas semanais, as várias fazes de processos seletivos, para chegar na última fase e perder vaga para alguém que estuda numa faculdade com nome mais conhecido no mercado. Me incomoda minha mãe, que só abre a boca para me chamar de monte inútil de banha e me lembrar do quanto ela se envergonha de mim. Tenho me incomodado com meu peso e com a minha visão, cada vez piores. Tenho me incomodado de não ser mais requisitada entre amigos, e tenho me incomodado com a proximidade da volta às aulas, e com todas as discussões que isso acarreta aqui em casa.
A questão é que eu gostaria muito que este ano fosse diferente do ano passado. Às vezes eu acho que é e, outras tantas, me desanimo com as atuais circunstâncias da minha vida. Sinto que preciso de um auxílio maior, de um auxílio espiritual, para elevar um pouco a minha fé, em qualquer coisa que seja, principalmente, a minha fé em mim.
*Ah sim, de volta à fase Harry Potter na minha vida. Porque eu era mega feliz aos 12 anos. E se você não gosta de Harry Potter, foda-se, o blog é meu e eu cito o que eu quiser.
Publicado por Laís em 1:54 AM
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Harry Potter
Então eu tinha 11 anos. Qinta-série. Acabado de mudar de colégio. E eu conheci a biblioteca da escola. E na biblioteca da nova escola tinha um tal dum livro Whatever-dos-sonhos, que eu li milhares de vezes. E eu ia na biblioteca e renovava o empréstimo do livro pra reler. E quando a bibliotecária de cabelos acaju tipo Silvio Santos percebeu minha relação doentia com o tal do livro, me proibiu de pegar. Esperta que sempre fui, decidi pedir para que meus amigos pegassem o livro pra mim. O problema é que eles quiseram ler. E um dia, a bibliotecária sumiu com aquele livrinho de capa laranja que eu não lembro o título.
Aí, um dia, mamis tinha ido me buscar no colégio com aquele velho fusquinha dourado, e ouvindo a Nova FM. E comentava-se na rádio sobre o segundo livro da saga do bruxinho. Mamis olhou pra mim e perguntou "você quer ler esse livro?". Dei de ombros. Mamis tomou minha atitude "whatever" como sim e comprou Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta. Eu levei quase um semestre para finalizar o primeiro. Mas me apaixonei da metade para o fim do livro. Cheguei no segundo, com o braço engessado um dia depois do meu aniversário de 12 anos, com a mesma idade que o Harry, faminta pelo final.
E cada livro da saga que vinha eu ficava mais fanática e achava que aquele era meu livro preferido e tudo o mais. Ai surgiram os filmes cheios de defeitos e tal. E eu, como toda fanática, falava mal dos filmes e tudo o mais. Acontece que Harry Potter cresceu comigo. Foi a melhor parte do final da minha infância, então eu tenho um ciúme doentio do Harry Potter. Fui muito mais fanática, admito. Mas é aquela lembrança boa que a gente deve sempre ter.
Então o filme. Começo dizendo que eu chorei horrores. Sabe quando você está totalmente envolvido com a história e conhece tudo o que vai acontecer e, ainda assim, consegue se emocionar? Pois é, foi isso que aconteceu. Chorei litros de lágrimas e até me segurei pra não soluçar. Mas eu esperava mais do filme, certamente. Esperava que fosse mais fiel à história ao invés de modificá-la e que explicasse melhor para os leigos que não leram o livro. Esperava mais da atuação também. E esperava das cenas finais mais emoções. Lógico que o meu coração fraco não aguentaria, mas eu esperava mais drama.
É isso. Pra não encher de spoiler.
P.S.: Eu fui com a minha spoilt. E mostrei pra F., pouco antes da cena que o Snape mata o Dumbledore. Ela odiou.
Publicado por Laís em 12:47 AM
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Explicando
Se eu soubesse calar minha boca, nada disso teria acontecido. Mas lá estava eu, com F., no ponto de ônibus. Falávamos de pessoas e falamos de blogs. Caí na bobagem de dizer que tinha um blog e falei para que ela procurasse no google. Depois me dei conta. Havia muita coisa que eu não queria que ela visse no blog. Resultado: blogocídio pelo celular. Não sei se ela chegou a achar alguma coisa, espero que não. Pra evitar desentendimentos e tal.
Começando de novo, então. Lógico que há toda uma recuperação de arquivos e tal. Mas nada disso importa, só eu lia meus arquivos mesmo.
Publicado por Laís em 11:26 PM
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Recomeçando.
Publicado por Laís em 10:37 PM
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